A Gaiola das Loucas vem respeitosamente informar a seus fiéis leitores que agora isso daqui virou bagunça, virou a casa da mãe joana, e que, a partir de uns dias atrás, que não conseguimos definir quando foi exatamente, cada um aqui vai postar quando e como quiser, sem vinculação a tema nenhum, sem dia certo, sem obrigações. Somos uma família e, como tal, nos apoiamos umas às outras em nossos problemas pessoais e gaiolísticos, então, cansamos de brigar umas com as outras quando falhamos nos posts e decidimos que aqui agora vai ser assim:
TODO MUNDO EM PAZ, AMOR E LIBERDADE PRA POSTAR O DIA E HORA QUE QUISER.
Não se ofendam se a gente por acaso sumir por uns tempos.
A primeira brincadeira que eu me lembro de brincar em família lá em casa era "A palavra é...".
Era uma espécie de "Qual é a música" em família, em que cada um dizia uma palavra e o resto das pessoas tinha que adivinhar em que música a pessoa estava pensando. Meu pai (que não imitava o Sílvio Santos, graças a Deus) começava: "A palavra é... amor", por exemplo, e cabia a nós, filhos, adivinhar em que música ele estava pensando.
Pois bem. Vamos brincar disso hoje, mas um pouco diferente: caberá aos leitores nos dizer quais são as palavras que vão reger o 2014 de cada um de vocês.
Eu começo: o meu 2014 vai ser regido por algumas palavrinhas:
EFICIÊNCIA: Preciso me tornar uma pessoa eficiente. Já chega de deixar serviço acumulado, isso está me deixando louca.
TRANQUILIDADE: Preciso aprender a me desligar do trabalho depois que saio dele. É hora de ter vida pessoal além de vida profissional. Senão aos 30 anos eu terei cara de 60.
FITNESS: Parei a academia quando comecei a fazer monografia, pq não estava dando conta de conciliar as duas coisas. Só que isso aconteceu há quase 2 anos e ainda não consegui voltar: tá na hora de criar músculos na bunda e vergonha na cara.
Ainda faltam outras palavras importantes, das quais eu talvez faça posts específicos, mas agora é a vez das outras loucas e dos ilustres leitores deste blog participarem também! Portanto, é a vez de vocês!
Decepção é a pessoa entrar num grupo de discussões sobre "O Senhor dos Anéis" no facebook e descobrir que lá todo mundo só fala do filme, e nem uma palavra sobre o livro. Quer dizer que eu sou a única fanática que leu o livro trocentas vezes e que se emociona com cada besteirinha que se diga ali?
Percebem? Eu entrei num grupo cheio de nerds, e descobri que sou mais nerd que eles.
É que a Ira foi falar do pão com sabor de babaloo de melancia e eu lembrei desse causo.
Milianos atrás, quando eu fazia meu primeiro estágio (bons tempos!) eu e meus amigos lanchávamos juntos todos os dias. Cada um levava alguma coisa pro lanche.
Um dia eu estava no mercado e me deparei com uma caixinha cheia disso:
Achei tãããããão legal! E eu sou tipo a Magali: totalmente louca por melancia!
Comprei na hora uns envelopes pra gente lanchar a tarde (envelopes suficientes pra lanchar uma semana).
Naquele dia, quando estávamos preparando o suco na copa, apareceu uma advogada metida que trabalhava em outro setor e torceu o nariz pro nosso suco, dizendo: "Ai, credo, esse suco é tão ruim. Eu só bebo suco Del Vale" (foi antes de a del vale lançar sucos sabor soda)
"Nhém nhém nhém nhém...", pensei eu torcendo o nariz de volta, "no dia em que eu for funcionária pública e tiver dinheiro pra me vestir de Barbie, como você, eu compro sucos caros".
Ela saiu e nós começamos a lanchar.
QUE SUCO HORRÍVEL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
O suco de melancia era tão ruim, mas tão ruim, que se tornou um marco entre os estagiários. E até hoje, quando comentamos sobre alguma comida/bebida ruim, a pergunta que se faz é: "É pior que tang de melancia?" Mas nada nunca consegue ser pior!
Foi por causa desse post que eu conheci a Miss Bellum. Já faz milianos que eu escrevi, tá lá no meu blog, mas como pouca gente já leu ele, acho legal colocá-lo aqui tbm!
"Eu tenho uma teoria sobre as categorias de gentes. Não é coisa de gente normal, já aviso logo. Nem é nada muito original, do tipo: "Uau! Puxa! Como ninguém nunca pensou nisso antes?!" É uma coisa normal, qualquer filósofo de esquina pode pensar. É uma daquelas coisas que aparecem de repente na cabeça da gente, geralmente num momento em que devíamos estar pensando em outra coisa mais importante, tipo estudar pra prova do dia seguinte. O fato é que pensei nessa história um dia desses, e ela não me sai mais da cabeça.
A ideia é a seguinte: existem pessoas velas e pessoas fogos-de-artífício.
Primeiro, vamos diferenciar velas de fogos-de-artifício. Velas são branquinhas (ou não), simples (ou não) e têm um foguinho de nada. Em tese, são bastante seguras, dependendo de quem as manuseie. Mas elas são bastante funcionais, e fazem bem aquilo a que se destinam: iluminar um pouco algum ambiente. Fogos-de-artifício, por sua vez, são coloridos, brilhantes, chamativos e fascinantes. São literalmente uma explosão. Bem, pessoas-velas, então são aquelas pessoas normais, que a gente vê quase sempre. Gente que leva a vida normalmente, e não causa grandes estardalhaços. Queima lentamente, em outras palavras. Gente fogo-de-artifício, por sua vez, causa frisson em todo mundo. Vive intensamente, como se quisesse viver a vida toda num segundo. Não existe meio termo com essas pessoas. Elas são muito amadas ou odiadas. E elas amam muito ou odeiam também. Elas acreditam em algo, ou então nem passam perto. 8 ou 80 e ponto final. Pensei nessa teoria quando pensei no Jimi Hendrix, porque o cara era um gênio da música, e viveu intensamente, até morrer precocemente.
Engraçado é que quando pensei nesse post eu pensei em terminar dizendo que queria ser uma pessoa fogo-de-artifício. Sim, porque, a princípio, gente vela parece ser muito tediosa. Pensa nas velas que você conhece: brancas, pavio um pouco queimado, é acendida só nos momentos de necessidade, quando está escuro, e ninguém costuma acender velas pensando: "Uh! Que maravilha! Adoro quando a luz vai embora e eu tenho que me virar com as velas..." Pensei isso no começo, mas depois parei pra pensar nos detalhes de cada tipo de objeto (ou pessoa). As velas me pareceram tediosas no começo mesmo, mas depois parei pra pensar na fantástica diversidade que existe entre as velas: velas de aniversário - tão desejadas; nas velas de um jantar romântico - incrivelmente valorizadas; velas aromáticas, velas coloridas, velas que as pessoas acendem umas pelas outras, velas decorativas... E pensei na utilidade das velas também. Sim, porque os fogos de artifício são fantásticos e inesquecíveis, mas não são fundamentais. São só para os momentos de felicidade. Velas, ao contrário, estão sempre presentes. Se está escuro, a gente acende uma, nunca vai pedir ajuda a um fogo de artifício, que a gente não é tão doido assim também! Se alguém vai comemorar um aniversário, pode até se valer dos fogos-de-artifício, como demonstração de felicidade. Mas dificilmente alguém vai se valer de um deles num enterro, como forma de consolo. Uma vela é sempre acesa por uma pessoa querida, quando se deseja melhoras, ou como forma de consolo por sua partida. Uma vela é uma companheira de momentos alegres ou difíceis, serve pra comemorar, bem como pra lamentar. E mais, os fogos-de-artifício são fabulosos, inesquecíveis. Mas, ao mesmo tempo, são muito mais perigosos que as velas. Causam acidentes, dos quais as pessoas costumam sair muito feridas. Se relacionar com uma pessoa fogo-de-artifício pode ser uma coisa linda, espetacular. Quando dá certo é uma coisa maravilhosa, grandiosa. Mas se der errado a gente sai muito machucado. Velas podem causar um incêndio, é certo, mas dificilmente vão causar estragos por conta própria, sendo necessário que a pessoa que as use seja negligente, ou imprudente, ou inábil (pronto, aí estão os traços do direito saltando pra fora de mim, rs!) pra que as velas se tornem perigosas.Velas, em mãos de pessoas infantis, podem causar desastres. Mas, nesse caso, imagine o estrago que essas pessoas causariam com um fogo-de-artifício nas mãos. Fogos-de-artifício são temporários. Eles brilham e depois apagam. NÃO! Não tou dizendo que se você conhece alguém fogo-de-artifício essa pessoa vai morrer ou te abandonar. Mas eu acho mais provável manter-se a vida toda ao lado de uma vela do que de um fogo-de-artifício. Os fogos explodem um tempo nas nossas vidas e depois vão brilhar em outra freguesia, porque eles não gostam do tédio, e porque a gente acostuma com eles e quer tratá-los como se fossem velas. Até porque ninguém consegue competir o tempo todo com alguém que tem um brilho fabuloso. Ninguém quer se sentir uma velinha perto de um foguete. As velas são mais estáveis. Elas têm um brilho pequeno, mas elas brilham constantemente (quando acesas, é claro, mas eu considero qualquer pessoa viva como uma vela acesa). Então, das velas a gente pode esperar sempre uma luzinha. Já os fogos-de-artifício brilham muito intensamente e depois apagam. E a gente também não pode exigir que alguém brilhe tão intensamente sem parar. É injusto. O fato é que enquanto escrevia esse post, ou pensava nele, eu cheguei à conclusão de que não me importo em ser uma velinha, aliás, faço questão de ser uma. Mas quero ser uma vela versátil, da qual as pessoas possam se valer quando só quiserem comemorar algo, como quando realmente precisarem de alguém que as acompanhe e conforte, ajudando a iluminar no escuro, mesmo que de forma suave e discreta. E também quero aprender a valorizar a luzinha de cada pessoa, sem exigir delas mais do que podem oferecer." Pieguice: a gente vê por aqui.
Dizem no meio jurídico que a testemunha é a prostituta das provas.
Não sei o que tem a pobre da prostituta a ver com isso, mas o fato é que realmente a testemunha é a pior prova de quem se pode depender. Você nunca sabe que diabos ela vai fazer realmente...
Senta que lá vem história!
Meses atrás uma amiga me procurou, pedindo ajuda para fazer uma defesa trabalhista. O cliente dela era dono de uma lanchonete e estava sendo processado por uma moça que afirmava ter sido demitida por estar grávida. Quando uma mulher é demitida grávida, tem direito a ser reintegrada ao emprego até o quinto mês após o parto ou, na impossibilidade, de ser indenizada pelos valores correspondentes a esse período, o que dá uma fortuna. O patrão dizia que ela que tinha pedido demissão, o que excluiria a condenação.
Pelas regras da utilização das provas no processo, cabe sempre ao patrão provar que a mulher grávida pediu demissão. A moça em questão não tinha assinado nenhum pedido de demissão. Segundo o cliente da minha amiga, ela simplesmente avisou num fim de tarde que não iria mais trabalhar e nunca mais foi. Apareceu um mês depois dizendo que estava grávida e que queria o emprego de volta.
Explicamos a ele que se ele provasse isso pro juiz iria ganhar o processo, mas que era muito difícil provar. Ele disse que tinha testemunhas. Marcamos várias vezes pra conversar com essas testemunhas, pra perguntar o que elas sabiam e ver se elas eram boas testemunhas (acreditem, nossa intenção nunca foi orientá-las a mentir, porque sabemos que isso é crime e porque sabemos que isso nunca dá certo).
Ele as levou? Claro que não. Ou melhor, na véspera, apareceu no escritório da minha amiga com três pessoas e já as tinha orientado a mentir. Minha amiga explicou que era muito perigoso aquilo, que o juiz faria muitas perguntas e que se descobrisse que elas estavam mentindo elas sairiam dali presas. Uma das três já desistiu ali mesmo.
Os outros dois resolveram testemunhar, pois diziam que era tudo verdade e que tinham presenciado tudo.
Chegada a hora de ouvir as testemunhas em audiência, senta o primeiro. Um rapaz muito bonito, mas que anta!!! O cliente da minha amiga disse que ele era gerente da loja e que foi pra ele que a moça pediu demissão, no dia 26/01/2013.
A juíza começou a fazer perguntas pro moço e o que ele disse? Que só trabalhou na loja até 01 de janeiro. Depois disse que trabalhou até depois do carnaval. Depois disse que trabalhou até dezembro de 2012. Depois disse que nem sabia que dia tinha parado de trabalhar na lanchonete. Se confundiu tanto, que nem sabia que cargo tinha na loja: primeiro disse que era cozinheiro, depois que era gerente, faxineiro... Se confundiu tanto, que por fim a juíza estava vermelha de raiva, minha amiga tava vermelha de raiva, a advogada da empregada estava com uma cara de "já ganhei" e eu estava rolando de rir!!!
Quando acabou a audiência, lá vem o cliente da minha amiga perguntar pra ela - todo animado - se ia ganhar? Ela respondeu um NÃO bem bruto e, de quebra, explicou pra ele os riscos de ficar mentindo:
Tá, eu confesso, essa última parte não aconteceu. Mas teria sido legal...
Sabem, eu odiava faculdade, mas sinto saudades daqueles tempos. Não das aulas, professores, acordar cedo, pegar ônibus, aguentar colegas chatos, enfrentar fila na biblioteca, na cantina, na informática, no caixa eletrônico. Não de ser estagiária e só pegar coisas zoadas pra fazer. Nada disso.
Sinto falta de como eram fáceis meus trabalhos naquele tempo.
Naquele tempo, eu fazia qualquer petição em três, quatro páginas e depois tirava nota boa!
Há duas semanas estou aqui me fulascando (ph.. + lascar) com um mandado de segurança para garantir o direito de uma moça adventista não frequentar as aulas de sexta a noite, já que a religião dela não permite. Terminei nesse momento: 27 lindas páginas de puro sofrimento.
Eu me pergunto todos os dias por que não faço como 95% dos advogados e continuo fazendo petições de 3 páginas como na faculdade, já que, no fim das contas, o juiz só vai ler o pedido e decidir conforme a vontade dele, não importando o que eu disser.
Mas... dizem que virginianas são perfeccionistas (apesar de eu não acreditar em signos) e eu nasci em setembro.. então só me resta conviver com minha maneira maravilhosa de destruir minha vida pessoal só pensando em trabalho...
Esse post ficou muito, muito mixuruca. Mas gastei todas as minhas palavras no meu primeiro mandado de segurança, estou sem forças...
MAS É SOBRE CIÊNCIA E EU ESTOU SIMPLESMENTE MARAVILHADA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! :D
Meu pai é um tipo de cientista maluco que não mexe com ciência; um espécime fruto da fusão entre visionário e maluco. É claro que ele é assim, senão eu não seria como sou e, logo, jamais seria convidada para participar de um blog cujo nome é "A gaiola das loucas".
Pois bem. Dia desses, ele estava falando acerca da necessidade de se implantar um novo sistema de transporte público, que acabaria com os engarrafamentos. Segundo ele, o governo deveria investir em uma espécie de zepellin para transportar as pessoas de uma cidade para a outra, em vez dos nossos tradicionais ônibus.
Olha eu dando tchauzinho pela janela!!
No começo, eu achei a ideia meio maluca, mas depois, pensando bem, achei que fazia um certo sentido: transportar mais pessoas, mais rápido, sem ocupar o trânsito, sem prendê-las em razão de engarrafamentos.
Daí hoje eu vi essa notícia no facebook e achei a coisa mais genial do universo:
Fiquei muito muito muito muito muito maravilhada. Nem tenho palavras! Cientistas me emocionam. É sério!
Certa vez, quando eu era criança, li na revista Nova uma entrevista com alguma gênia que afirmou que o assédio nas ruas devia ser obrigatório, pois a mulher que não recebe uma cantada de pedreiro não sabe o que é ser feliz.
Minha cabeça de criança acreditou naquilo por muitos anos, até que eu entendi, pela experiência das ruas, que não tem nada de romântico em ser abordada por desconhecidos na rua, que acham que porque a mulher é diferente do homem merece ser tratada como item à exposição na feira.
Com o tempo e o excesso de abordagens incômodas, fui, pouco a pouco, tomando nojo de receber cantadas nas ruas. Geralmente, eu só fazia cara feia quando ouvia alguma piadinha ou assovio, até o dia em que eu extrapolei.
Numa chuvosa manhã de sábado - em que eu estava furiosa, mas não queiram saber porque, saí com minha mãe e minha irmã pra ir pra academia.
Perto aqui de casa tem um mercado e pra ir à academia precisamos passar em frente ao local de carga e descarga de mercadorias, que está sempre cheio de caminhões. Quando fomos passando, um homem coloca a cabeça pra fora e começa a assobiar, e a fazer piadinhas, e assoviar mais.
Não aguentei: parei e dei uma bronca nele. Onde já se viu ficar fazendo fiu fiu pra minha mãe? Mandei ele ir assoviar pra mãe dele! Acho que o homem não acreditou, porque ficou mudo e voltou pra dentro do caminhão.
Levei tantas broncas por causa disso! Entendi perfeitamente que todo mundo estava preocupado em o homem ficar com raiva e me xingar, me atacar na rua depois, tentar me agredir... Mas continuei revoltada, porque ouvi muitos "se não estivesse com essa roupa de academia ele não tinha dito nada" e também os inacreditáveis "qual o problema do homem assoviar? ele só está se divertindo!".
Mais de seis meses depois, lendo coisas na internet, encontrei o blog Chega de fiu fiu, que faz uma campanha contra o assédio nas ruas. Ali eu vi um montão de depoimentos de mulheres que se sentem - como eu - invadidas e desrespeitadas pelas cantadas recebidas nas ruas e outras coisas bem piores, vi homens que apoiam a causa e vi homens que defendem o direito de assediar, dizendo que a culpa é das mulheres, que saem com roupas provocantes, que as mulheres só se ofendem porque não é o Brad Pitt que as está cantando, que as mulheres que reclamam são mal-amadas-comidas etc...
Os comentários inteligentes desses últimos homens foram perfeitamente explicados por esse vídeo, onde um grupo de comediantes indianos nos esclarece acerca das causas do estupro.
E as leitoras e leitores da Gaiola, o que acham disso tudo?
Como sou muito cretina, invejei a Miss Belum e fiquei doente também. Não chega a ser sério o suficiente para me dar um atestado, então terei que ir para outra cidade atender os adoráveis (sqn) filiados do sindicato. De modo que estou com muita muita preguiça de escrever hoje e, por isso, vou poupá-los das minhas histórias de santinha-cagona.
Semana que vem prometo que conto da primeira vez que paguei um sapo pra um desconhecido na rua!
Acaba que uma ou duas vezes por década esta estagiária que vos fala é obrigada a comparecer a alguma reunião da família Inominada.
E há exatamente sete dias eu estava em uma delas.
É sempre interessante encontrar uma porção de pessoas que eu conheço e gosto, algumas outras que eu devia conhecer mas que se eu passar por elas na rua jamais reconhecerei, conhecer algumas que eu não conhecia... Geralmente acontecem coisas inusitadas e engraçadas, a família inominada não é muito de brigar.
Sábado não foi diferente. Todo mundo sendo muito simpático, muito polido, muito solícito, até que eu revelei minha personalidade monstro afirmando que sou advogada.
Fui bombardeada com aquelas frases inteligentíssimas de "crente não pode ser advogado", "advogado é tudo bandido", bla bla bla...
Mas a minha preferida veio de um filho de não sei quem (gente de fora da família Inominada, primo de algum agregado), me perguntar em que área eu estava atuando. Expliquei, muito polidamente, que eu atuava na área cível e na trabalhista. Ele fechou a carinha: "O problema do advogado trabalhista é que ele pede um monte de coisas que não são devidas..." Sorrisinho sarcástico da minha parte. Pensei comigo: "Se entregou, empregador!" Ele continuou: "Imagine que a advogada da minha ex-empregada pediu insalubridade por causa da poeira do estoque! Um absurdo! Eu vendo roupas e calçados DE MARCA e a poeira do meu estoque não faz mal à saúde..."
Entendam, pessoas: poeira de roupas de marca não faz mal à saúde...
"Claro, você tem toda a razão" - respondi - "mas meu papel como advogada é pedir tudo que eu achar que o empregado tem direito, e o juiz que negue..." "Ah, mas daí o juiz força o empregador a fazer um acordo de coisas que ele não deve... bla bla bla".
Parei de prestar atenção - não valia a pena argumentar - deixei ele falar sozinho de como a vida é injusta com os empresários, que são obrigados a pagar impostos altos, e depois verbas trabalhistas, que ninguém pode trabalhar de graça pra eles...
Passa um pouco, eu o escuto elogiando uma advogada que o ensinou a como fraudar a previdência social, assinando a própria carteira de trabalho pra depois pedir o auxílio doença.
Entendi tudo!
Mais tarde, naquele mesmo dia, meu tio de oitenta e muitos anos, sei lá por que, me agraciou com o apelido de "advogadinha fajuta".
A próxima reunião de família que vou participar serão as bodas de ouro do meu priminho recém nascido...
Até a quinta série, eu nunca tinha ouvido essa célebre frase.
Um belo dia, durante uma aula de inglês onde eu não fazia nada além de brincar, eu estava sentada no fundo da sala, sozinha, muito ocupada, pintando a minha mão de preto com uma caneta.
De repente, alguém soltou uma flatulência (estou dizendo, minha mãe me ensinou a ser lady...) que fez com que metade da sala desmaiasse.
Um menino ficou lá na frente, repetindo constantemente que quem peidou estava com a mão amarela, que quem peidou estava com a mão azul, que quem peidou estava com a mão... preta.
Eu, que era bestinha, não tinha peidado, mas estava com a mão preta e fui desesperadamente tentar limpar a mão, para não levar a culpa de peidona.
Adiantou? Claro que sim. Fez com que o menino me visse, e contasse pra todo mundo que eu que tinha peidado.
Santinha-cagona-peidona.
Meu carma é ganhar apelidos que tenham a ver com necessidades fisiológicas...
Esse foi o nome do curso que fez com que eu saísse de casa para Brasília sozinha, sem um dos meus pais, pela primeira vez, aos 15 anos.
Talvez pareça até ridículo pensar nisso, mas aos 15 anos eu nunca tinha pegado um ônibus sozinha, acho que nem mesmo um circular dentro da cidade. Eu fazia sozinha coisas muito mais perigosas que essa, como ir à escola, que ficava num bairro super violento e afastado da civilização, e ficar na escola, que eu acho que era muito mais perigoso que o caminho. Mas nunca tinha ido sem meus pais à Brasília.
Pois bem. Um belo dia, o professor de física entrou na sala com um papel azul na mão, onde se liam propostas de cursos de física, química e biologia gratuitos oferecidos pela Unb para alunos do ensino médio.
Escolhi um curso que prometia ensinar porque os aviões voavam, porque os pássaros voavam, porque o superman voava, como faziam pra voar.
O curso seria ministrado em 2 sábados durante a tarde. Eu, que nunca tinha saído sem meus pais, vi ali não uma só uma oportunidade de aprendizado, mas também de diversão.
Pedi permissão pro meu pai - que milagrosamente a deu - e chamei todas as minhas duas amigas para fazerem o curso comigo, mas só uma se interessou. Ligamos, nos inscrevemos e eu passei o resto do tempo todo planejando que roupa eu ia usar, e sonhando com a hora em que eu finalmente iria sair sozinha pra ir à Brasília com minha amiga.
E finalmente chegou o tão esperado sábado! Meu pai me deu R$ 20,00 e foi me deixar na parada, onde encontramos minha amiga aos beijos com o namorado dela. (Isso nem era pra fazer parte da história, mas me lembrei que isso rendeu meses de encheção de saco do meu pai, que achava que eu não devia andar com meninas que beijavam, ou eu logo estaria assim:
O ônibus chegou - LOTADO! - e lá fomos nós duas. Perdemos a parada onde devíamos descer, descemos na próxima e... ficamos perdidas! Nós simplesmente nunca tínhamos andado em BSB sozinhas, então não fazíamos ideia de pra onde tínhamos que ir. Sorte que o curso começava às 13h e ainda eram 11h.
O plano era simples: perguntar onde ficava a Unb pra alguém que estivesse passando e seguir a direção informada. Só que a gente não se contentou em continuar andando quando o caminho indicado pelo lobo mau primeiro desconhecido não nos fez chegar rapidamente ao nosso objetivo. Daí perguntamos pra outra pessoa, que nos indicou a direção contrária à que estávamos indo. Meia volta. Mais um tempão andando, nada. Perguntamos de novo, "é pra lá", fomos andando, "é pra cá", "é pra ali", "é pra acolá!".
Resultado: chegamos na Unb 12h45, mortinhas da silva.
Não sei dizer como foi o curso na época, mas não me perguntem como ou por que os aviões voam, pois eu não sei! Mas eu sei porque o super homem voa:
Lá pra 2010, eu estava me fazendo de coitadinha fingindo que estava triste por ter terminado com o cara mais babaca que já conheci.
Então pesquisei no google "como curar um coração partido", e entre os resultados apareceu um post chamado "5 etapas para curar um coração partido".
Eu entrei para ler e foi a primeira vez que li um blog na vida. Eu li o blog todinho! Todo dia eu parava um tempo e lia lia lia! Gostei muito do blog.
Eu tinha twitter naquela época, e passei a seguir a Renata, e ela era bem legal.
Mas eu nunca comentei no blog dela, porque eu ainda não tinha nenhum seguidor no blog e não queria que ela pensasse que eu estava comentando pra ela passar a me seguir.
Resultado: sempre fui uma leitora anônima do antigo "Loucuras da cabeça de um biscoito".
Mas foi lendo o blog dela que senti vontade de alimentar o meu, e comecei a escrever minhas coisinhas ali...
Daí, quando me convidaram contrataram aqui na Gaiola, eu quis convidar a Renata para escrever num dos sábados gaiolais, mas, como ela nunca tinha me visto na vida de blog dela, acho que ficou com medo da minha história de "sempre te segui em silêncio" e não aceitou!
É uma pena, já que acho que ela teria ótimas histórias pra contar.
De todo jeito, recomendo a vocês o Biscoitices, é muito bom! E se alguma das loucas daqui conseguir convencê-la a escrever num sábado, a estagiária e o público agradecerão!!!
Esses aí foram os candidatos à eleição aqui na minha cidade ano passado. O diabo-verde foi o vencedor, se reelegendo. No fim do mês passado, ele foi cassado pelo TRE. Assumiu o azul.
Cidade dividida: metade dos serezumanos comemorando alegres e a outra metade choramingando por ficar sem as tetas públicas pra mamar (isto pq ele contratou quase metade da cidade: favorezinhos políticos típicos... aliás, só pra informar, no gabinete dele, com 36m², constavam nada menos que 41 funcionários lotados, todos recebendo gratificação especial de assessoria de gabinete)
Caindo o balofinho, entrou o outro - que parece o Zorro, mas isso não vem ao caso - e começou a dar uma geral.
Mas alegria de gente honesta dura pouco: hoje saiu uma decisão de sei lá que tribunal dando o direito de o gordão safado (gosto muito dele, percebem?) tomar posse de volta.
Fogos na prefeitura, e todo o pessoal do lado azul trabalhando pra reverter essa decisão.
Resultado: sobrou pra mim tomar conta dos prazos da semana que vem.
Claro que a estagiária veio com um monte de desculpas esfarrapadas por não ter preparado o seu post de hoje - mas todos nós sabemos que ela está no mundo da Lua!
Aceitamos sugestões de castigos maldosos e cruéis.
Daí que terça feira eu fiz minha primeira audiência sozinha. Era uma audiência trabalhista: minha cliente foi mandada embora "por justa causa" e minha intenção com o processo era reverter essa justa causa, pra que ela recebesse as verbas típicas da demissão sem justa causa.
Suponho que todo mundo que lê esse blog saiba que, no Brasil, se a pessoa é mandada embora por justa causa perde uma porção de direitos trabalhistas. Então, quando alguém é mandado por injusta causa sem merecer isso, cabe ao advogado convencer o juiz de que o empregado não deu motivo para a demissão e, portanto, merece as verbas que receberia se fosse mandado embora por pura maldade da empresa.
Pois então, minha primeira audiência tratava exatamente disso.
Chegamos lá cedo, e eu fui conversar com as testemunhas e a minha cliente para explicar a elas como funciona uma audiência, o que o juiz fala, o que poderia ser perguntado a elas... NÃO, não as incentivei a mentir, não foi necessário eu não faria isso.
Chegamos na sala de audiência e tome tentar fazer um acordo. A minha cliente tinha chance de ganhar um tanto X e a empresa queria pagar X/3. Eu não queria aceitar, a cliente queria. Por fim, o preposto da reclamada (leia-se: o empregado que foi representando a empresa) não parava de dizer: "olha, doutora, eu estou aqui só mesmo porque eu tenho muita consideração por essa ex-empregada..." Eu, tentando fazer uma cara bem amável, respondi: "Tanta consideração que a mandou embora, né?"
Continuamos tentando negociar e o filho de uma égua não calava a boca. O tempo todo falando e falando e falando... E nada de chegar a um acordo. Por fim, eu já tava abusada, e o camarada vira pra mim e me repete a pérola: "olha, doutora, eu estou aqui só mesmo porque eu tenho muita consideração por essa ex-empregada..." Não aguentei e respondi na lata: "meu senhor, quer saber o que acho da sua consideração? eu preferia que o senhor não tivesse vindo!"
Eu era estagiária na vida real quando começamos este blog. No curso desses seis meses deixei de sê-lo, e agora sou advogada.
Eu entrei nesse blog como estagiária e andei pleiteando uns posts atrás uma vaga de efetiva...
Mas a vida real anda tão corrida, mas tão corrida, que estou pensando seriamente em desistir do pleito anteriormente formulado e continuar sendo estagiária por aqui, porque a vida de adulto é ph*$#@...
Aproveitem vossa sexta feira, enquanto eu vou atender uma dezena de filiados do sindicato que se sentem muito infelizes com suas próprias vidas e por isso resolvem dificultar a minha vida também...