Monday, May 20, 2013

Kiss me, baby - PrimeiroS beijoS 3


O primeiro beijo roubado.

Passou o tempo, o ano terminou e fui de férias para o feudo da família. Lá no interioooooooooooor diMinas, uai. Foi quando tive minha segunda experiência traumática com meninos idiotas. Tecnicamente foi o terceiro beijo e o primeiro beijo roubado. Não foi tão ruim quanto o anterior mas foi desagradável o suficiente para mim.
Lá no feudo, nós, as "priminhas" da cidade grande - do Rio! - éramos um tipo de atração nas férias escolares. Sinceramente detestava esse tipo de atenção. Não tenho primos diretos mais velhos. Na verdade as mulheres sempre foram a maioria na família. Em compensação... tinha um monte de primos de terceiro, quarto, quinto grau (isso existe?). Minha avó, cheia das boas intensões, querendo enturmar a gente, vivia levando pra conhecer os netos das primas dela. Era engraçado, pois sendo um feudo pequenito, todo mundo acabava sendo aparentado um do outro, seja por sangue, casamento ou só "consideração". 
Na noite anterior tinha conhecido na casa de uma das primas da minha vó um primo made in capital - Belô - e que se achava o rei da cocada preta. Não era pra menos... as primas diretas dele e as amigas delas babavam em cima do pentelhinho vindo da cidade grande. Um porre! Nunca tive paciência pra menino idiota. Para menino idiota que se acha o TAL... menos ainda. Ignorei. 
Como cometi o erro de ignorar o moleque ele prestou atenção em mim. Aí virei alvo de ciúmes da caipirada cor de rosa choque com hormônios em ebulição. Meninas de 13 anos conseguem ser pior que o demo quando estão na onda de perseguir-segregar-intimidar uma suposta rival. Até tentei explicar que não estava a fim dele - e não estava! - e que.... mas de nada adiantou. Na cabeça delas eu era um tipo de perigo vindo diretamente do Rio de Janeiro. Cê jura? A situação piorava porque eu ria - na cara delas - dessa preocupação infundada. E ria mais ainda do fato delas acharem o tal do garoto um tipo de galãzinho. Fui sincera demais e acabei por dizer que achava ele um bostinha (máximo do palavrão que falava na época) e elas umas tontas. Pensa se não ganhei duas dúzias de inimigas? 
Teve uma comemoração do aniversário do galãzinho das geraes... fui obrigada pela minha avó. Ele era o neto preferido da prima preferida dela. E ai de mim se não fosse! Passei o tempo todo sentada com os mais velhos, ouvindo causos. Na boa, preferia mesmo isso do que ficar lá com aquele monte de adolescentes ovulando e correndo atrás do chatonildo. Achei que tinha ganho a parada. Depois daquela noite não seria convidada para mais nada, que era... justamente o que queria.
No fim de semana seguinte a surpresa. Prima da vó ligou e disse que o netinho queria que fosse com ele para a matinê no clube. Era um tipo de boate mirim que começava às seis da tarde, num salão do clube perto da igreja. Claro que vovozinha amada aceitou - por mim! - e não teve jeito de não ir. Fui carregando irmã a tira colo. Ela estava mais entusiasmada com o evento do que eu. Quem me olhasse ia pensar que estava indo pra forca.
Só que... chegando lá... pensa em uma pessoa que ama dançar? Que amaaaaaaaaaaaaaa uma pista de dança. Que não está nem aí se está dançando bem ou não. Se tem gente olhando ou não. Se tem gente comentando ou não. Se tem gente na pista dançando junto ou não. Pensou na figura? Eu era assim. Toda a nerdisse interior e a timidez sumiam numa pista de rock. Não estava nem aí se chama atenção, se estava dando show, se... tudo que importava era a música, as luzes, a energia e o meu corpo vibrando num ritmo alucinado. 
Fui pra pista e dancei, dancei, dei show (acho, kkkkk) e nem liguei se tinha alguém por perto. Não dançava com ninguém, era eu e a música. Não havia espaço para mais ninguém nessa relação. Daí... algum babaca resolve tirar o rock e botar música lenta. Broxei. Tem coisa mais nada-a-ver do que aquele instante em que a festa para e colocam música lenta pra um monte de espinhas e cravos ambulantes? Fica aquele suspense, a maioria sem jeito, ninguém sabe o que fazer ou como agir. Exceto os idiotas, esses sempre sabem o que fazer. Fazem merda!
Estava eu ali, perdida na pista, totalmente off e pronta pra ir procurar o bebedouro mais próxima - morta de sede! - quando o galãzinho da caRpital chega do nada e me chama pra dançar a música. Não sei porque aceitei. Não devia ter aceitado. Mas bateu um complexo de boa meninice e fiquei sem graça de dar um fora nele. O projeto de galinha grudou em mim - algo que achei nojento... eu estava pingando de suor de tanto me esbaldar na pista de dança - de tal modo que nem um suspiro separava nossos corpos. Fiquei incomodada e empurrei ele. E ficamos nisso de empurra e volta por alguns segundos. Quando enfim ele teve a ideia de gênio - só que não - de me roubar um beijo, na marra. Muito azar! Já estava escolada do beijo anterior. Aliás estava escolada e louca pra revidar. Não consegui morder ele, foi mais esperto. Mas... meti um chute daqueles bem na zona do agrião e larguei ele estatelado no meio do salão. Não foi um chute bem dado mas foi o suficiente. Foi o maior auê na platéia. Saí dali correndo com medo de apanhar das outras meninas que ficaram revoltadas por eu machucar o precioso delas.
Voltei pra casa da minha avó furiosa e fui dando a real. Que nunca mais queria sair com os nenhum neto das primas dela, que não precisava me arrumar gente pra sair e que preferia passar as férias sozinha lendo meus livros do que com aquelas pessoas. E que aqueles priminhos queridos eram a pior companhia da cidade!
Deu certo porque ela não me aborreceu mais com esse tipo de coisa. Deu errado porque tomei uma raiva danada de todo e qualquer garoto. Dali em diante passei a achar que todos eram idiotas sem remédio. A única exceção, claro, era o doce R... que era meu consolo. Assim  virei uma feminista casca grossa antes dos 13 anos com ódio mortal de qualquer um do sexo oposto. E sempre que um desavisado fazia, sem querer, qualquer movimento em minha direção eu já entrava em posição de defesa e me colocava pronta pra mandar um chute bem dado, um soco no nariz ou um dedo no olho. Só por garantia...  just in case.
Prometi pra mim mesma que beijo roubado nunca mais!

7 comments:

  1. Gente, mas que post EXCELENTE, morri de rir com cada expressão e frase! Parabéns! Ahhhh e foi inevitável não me lembrar de algumas passagens em minha vida também com o sexo oposto e com essa fase na vida da gente cheia de questionamentos, mal sabíamos que a fase passa, mas os questionamentos não... kkkkkk
    Beijo, beijo!
    She

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  2. Ge, pude visualizar tudo, passei por isso (menos o beijo roubado) quando fui de férias para o interior da Paraíba saindo de São Paulo, virei o perigo ambulante a vista das meninas, um troféu para os meninos e uma tia-avó convencida que me apresentar para toda a parentaiada era o máximo!
    bjs
    Jussara

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  3. Fiquei fã, vou seguir.
    Beijo.
    Ana

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  4. Parente de longe é querido. De perto, fedido.

    Kisu!

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  5. Insisto: ninguém queria me beijar na escola. x( hunfs!

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  6. Chute bem dado. Que coisa é essa de ficar agarrando a outra pessoa e querendo beijar a qualquer custo! Que coisa chata!

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  7. Esses moleques se acham ...
    chute muito bem mandado

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