Monday, January 7, 2013

A primeira briga de rua a gente não esquece!

foto - nerdice.com
Electra é ser do bem.
Atentem para o fato que Electra, apesar do nome, da criação e do gosto por lutas sempre foi ser da paz. O fato de acompanhar UFC desde o tempo dos Gracies, ter feito taekwondo, krav magá e karate shotokan desde antes de aprender a falar, e ter sido aprendiz de ninja nunca alterou sua docilidade inerente. 
Electra é paz e amor.
Quando criança pequena lá em Cuicuí de las Palomas era da turma que apanhava, nunca da que batia. Electra baby era songa monga juramentada. Apesar de ser a primogênita do clã, de ser 10 centímetros mais alta do que a irmã e todas as crianças do bairro... nunca bateu em ninguém. Pelo contrário, apanhava quieta, pois se levantasse a mão, ficava de castigo! Onde já se viu, uma menina grande bater nos menores? Onde? Onde? Covadia! Por isso Electra aguentava firme e forte as provocações daquele bando de pigmeus - pigmeus melequentos.  
Electra é autocontrole.
Na primeira vez que Electra revidou, rachou a cabeça de uma das irmãs com um banco de madeira maciça. Até hoje irmã pigméia agradece pela vida e pelos neurônios, que foram ativados com a pancada. Irmã virou gênio da noite pro dia e nunca mais se meteu à besta com Electra. Nenhum dos pigmeus nunca mais mexeram com Electra depois que a notícia se espalhou. Como sei que curiosidade mata conto logo, o nome da irmã é Andromeda. Depois desta seguem, em ordem cronológica: Hipolyta, Callisto, Jocasta, Circe e Megera. Electra sempre agradeceu por não ter sido batizada de Megera.
Electra é agradecida.
Tempos depois, já na faculdade, Electra se envolveu na primeira briga fora do seio materno. Não foi uma briga de fato. Não teve vias de fato. Nada de porrada. Se não tem porrada não é briga. Não mesmo! Foi quando Electra descobriu que apesar de possuir um pavio enorme, ele não era infinito. Coleguinhas descobriram o mesmo ao tentar segurá-la. Cliente que saiu correndo pela rua gritando de medo de apanhar também. Chefinho, ser justo e sábio, não recriminou Electra. Note-se que Chefinho deu o fim do mês de folga, pagou o salário integral e junto com a média final máxima, teceu, na ficha de avaliação, louvores àquela estagiária. 
Electra é poder.
Hoje Electra foi às compras, atividade quase sempre prazerosa. Electra aprecia o que é bom, foi ensinada a separar o joio do trigo. Electra não é boba, só tem cara de boba. Não é rica, mas tem cara de rica e um cartão que parcela em oito vezes sem juros. É o que basta. O dia não era dos melhores, chuvoso e escorregadio. O humor não estava dos melhores e a cólica não melhorava em nada o quadro geral. Depois de passar por alguns locais em busca da sua meta, a encontra. Uma veste ravissante, digna de Afrodite.
Electra é luxo.
foto - blog dos quadrinhos
Descendo a rua eis que um pobre mortal quase a derruba, o que já bastaria para ser condenado à prisão perpétua nas masmorras de Sauron. Graças a seu treinamento e total domínio corpo-mente-sacola de compras conseguiu perceber que o bastardo era um moleque de rua que havia acabado de assaltar e derrubar uma inocente e doce vovozinha. Sangue ferveu. Não que isso seja novidade, o sang'real de Electra ferve facilmente. Antes que se desse conta já estava no chão, caída por cima do marginalzinho, embolachando ele com gosto!!! Mal deu tempo de ver a sombrinha, emprestada pela filha da dona do salão  fazia uma semana e que ainda não tinha devolvido, sair voando com o vento. Quando deu por si, parou de estapear o moleque, que isso é uma indignidade. Coisa de mariquinha ficar dando tapinha, ainda bem que ninguém conhecido estava por perto. Cerrou os punhos automaticamente e acertou o nariz dele. Imaginou   que tinham cartazes aparecendo, como nos seriados antigos do Batman: SOCK POW CRASH!  Mas não apareceu nenhum letreiro. O sangue correu pelo nariz... os olhos se arregalaram e ele se rendeu.
Electra é guerreira.
O corpo não se esquece dos treinamentos, apesar de estar fora de forma. Sabia exatamente como fechar a mão para não ferir os dedos, qual a distância e força necessárias, e onde aplicar o golpe.  O nariz é frágil, sangra facilmente. E sangue sempre causa pavor. O dano não é grande, mas parece ser enorme e isso é o bastante para assustar a maioria. O moleque não parecia preparado para ser pego, muito menos para apanhar. Foi divertido, tinha que admitir. Não foi nenhum ato heroico, não escreveriam uma Iliada sobre o acontecido. Não existem mais Homeros para tanto. Sua mãe dava aulas sobre Homero na universidade, talvez por isso tenha pensado no autor naquele momento.
Electra é cultura.
Em questão de minutos o povaréu, digo, os fans, se juntaram pra ovacioná-la. Sentiu-se bem e então sentiu-se mal, saiu de lá o mais rápido que pode. Brigar na rua não era exatamente algo para se comemorar. Havia um gosto agridoce na boca, algumas quadras abaixo percebeu que tinha mordido a língua. A mão latejava, mas não era nada demais. Recuperou a sombrinha, é preciso entregá-la logo. Não haviam rasgos ou danos na roupa, sequer tinha perdido o vestido, intacto na sacola. Não haviam grandes machucados, mas por certo os roxos da queda logo apareceriam.  Sempre ficava roxa, sempre. Não havia dor, a adrenalina ainda corria por seu corpo molhado quando chegou em casa. Estava empolgada, satisfeita e suja.
Electra é porrada!




15 comments:

  1. Electra é louca de pedra. quem abriu a gaiola?
    Não tive como não rolar de rir. E as perguntas que não querem calar... cade a velhinha assaltada? O que aconteceu com o maloqueiro? E a carteira da vovó, foi recuperada? Veio policia? Seguraram o marginalzinho?
    ah... tantas dúvidas...

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  2. Pessoa jura que eh da paz mas fez curso de luta ate com Chuck Norris... Quer enganar quem, Electra? Assume essa Vera Verão que vive dentro de você, mona!

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  3. ...hmmmm... esqueci de dizer que o titulo do post está errado. isso não foi briga de rua. Numa briga, os dois batem. Nesse caso, seu unico machucado foi a lingua "auto mordida". O post deveria se chamar a primeira surra bem dada...heheh

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  4. Alguém manda internar essa louca! Euz ein...

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  5. KKKKKKKK eu imaginei um filme do Tarantino!!! JUROOOO!!!!

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  6. oh céus! que estilo! impressionei!
    Juro que tenho o sonho de dar uma surra bem dada tbm, em alguém que esteja precisando levar uma. Especialmente se o alguém for ladrão. Acho que esse sonho nasceu de um caso que se conta na minha família: Reza a lenda que meu pai estava bebendo no bar quando dois homens tentaram furtar-lhe a carteira. E contam os antigos que ele simplesmente quebrou os dois na porrada.
    Porque eu não estava lá pra ver?

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  7. Hahaha o que gostei mais foram as frases-resumo depois de cada parágrafo, "Electra é..."
    Já amei Electra!

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  8. Gê é como o mestre Ioda. Uma verdadeira mestre Jedi! HUAHSUAHUSAS

    Eu não saberia o que fazer. A principio, como aqui no rj se tem acesso muito fácil às armas, qualquer pivetinho pode ter uma. Eu teria medo de ajudar alguém e pagar com a vida.

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  9. E assim minha identidade secreta foi pro ralo.... zamiga é pra isso msm! kkkkkkkk

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  10. Caceta, o blog começou agitado! Dá-lhe porrada!!!
    Alguém bota essa moça no octógono! Vai ficar rica!! ;)

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  11. Minha nossa!
    Esse vai pensar trinta vezes antes de voltar a assaltar alguém. Vai que a Electra aparece...

    Bjs.
    Elvira

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  12. Adorei!! Super bem escrita.
    Porrada neles Electra ;)

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  13. Uhuhu..
    Uau....


    Quero conhecê-la...


    Essa aticou minhas gaiolas gustativas.. kkkk..

    Muito bom....

    Cabra macho!!!!

    Beijos

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    1. Digo, papilas...

      Celular doido...

      Kkk..

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  14. Senhor,protegei essas loucas(e fechai a gaiola),pelamorrrrr.....

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